Perseguição à Bíblia

Em 538, Justiniano ajustou “a subserviência completa da igreja de CRISTO ao estado pagão”. O “sumo-pontífice” foi revestido de poder temporal para defender-se de seus oponentes. A perseguição aos fieis começou então a assumir outro aspecto, bem mais sanguinário. Teve início o período de “grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo”. Sob a opressão dos imperadores pagãos, a igreja de CRISTO sofreu terrível perseguição. O mundo se tornou um vasto campo de sangue. Os cristãos fieis eram colocados diante do dilema: renunciar à sua integridade, sua fé, sua fidelidade à lei de DEUS, e anuir às inovações heréticas do “papismo”, ou ser lançado nas masmorras, sofrer tortura, morrer martirizado, ao fio da espada ou pela fogueira. Calculam os historiadores aproximadamente 100 milhões o número de cristãos martirizados como “hereges” durante o longo período de supremacia “papal” (1260 anos), principalmente pela Inquisição.

O demônio resolveu dar mais um passo em sua trama. Sabia que enquanto a Escritura Sagrada estivesse livremente ao acesso do povo, os homens poderiam discernir entre a verdade e o erro e, assim, precaver-se contra a aceitação de heresias. Foi pela Escritura que CRISTO enfrentou o demônio no deserto, quando tentado. O “está escrito” foi a arma de CRISTO (Mateus c.4 v.4-10). E o príncipe das trevas sabia que esta mesma arma seria constantemente usada contra ele, e com eficácia, pelos seguidores de CRISTO.

Determinou, portanto, despojar o povo da Palavra de DEUS, a Escritura Sagrada, para que ficasse em ignorância quanto à verdade e não pudesse discernir o erro. Foram, pois, expedidos decretos a exemplo do seguinte: “Os leigos não devem possuir os livros do Antigo e Novo Testamentos; não devem ter senão o saltério, o breviário ou também o devocionário de Maria, e mesmo estes não devem ser traduzidos em idioma vulgar”, Hefele, História dos Concílios, V, pág. 982.

J.J. Scheffmacher, no seu “Catecismo de Controvérsias”, publicado em Strasburgo, com autorização episcopal, diz, à pág. 282, o seguinte: “Repetimos que todos os que tenham aprendido bem e saibam seu catecismo católico podem muito bem dispensar a Bíblia e ganhar o Céu, pois o catecismo contém a fé inteira, ao passo que a Bíblia não”. Assim sendo, o catecismo, elaborado pelos traidores da causa divina, homens falíveis, substituiu as Sagradas Escrituras, que contém em seu bojo a perpétua lei de DEUS.

Durante a tenebrosa Idade Média, foi tão severamente proibida a Bíblia ao povo, e tão atrozmente perseguidos eram os que a possuíssem toda ou em parte, que as trevas quase chegaram a prevalecer por completo. Mas, graças à providência divina, em diversos lugares ainda permanecia acesa a luz da Palavra de DEUS. Nos retiros das montanhas e florestas, por entre as rochas abrigadoras, e nas grutas e cavernas da Terra, encontravam refúgio as vítimas da cruel perseguição, a saber, aqueles que, para obedecer a DEUS, se recusavam a obedecer aos homens.

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